“Vamos lá, eu, em mais uma tentativa de te impressionar e mostrar esse meu amor exagerado e completamente imenso. Mas me pergunto se tu és uma pessoa tão digna assim, digo, de ser a protagonista ou a essência desse texto. Pois bem, mesmo te amando, não esqueço esse rancor e essa amargura que trago no peito, como disse à Mabel, tu tirou o meu doce mel, e hoje, a colmeia está deserta feito meu coração. Nada habitado, nada encantador, nada florido, nada bonito e colorido. Colmeia vazia e sem mel, assim tu me deixou, sem doce algum. E o que direi a você se o que sinto é maior que esse sentimento de arrependimento por te amar? O que posso fazer, se minha vontade de estar com você é maior que a vontade de te deixar afundar no mar? Nada posso fazer, pois mesmo sem minha doçura, ainda continuo te amando. E esse, talvez seja o meu erro mais absurdo e intolerável: te amar da maneira mais cretina e estúpida possível. Porque como tu me conhece, sou esse ser insaciável e sedento por teu amor, e mesmo tu me negando boa parte dele, torno a encher o seu saco e falar mil abobrinhas. Mabel me disse para deixar-te, pois tu não é pessoa digna do meu amor, tampouco da minha atenção, tampouco das minhas lágrimas. Mabel enfatizou e tornou a dizer pela milésima vez, que, quando alguém me faz chorar por tristeza a maioria das vezes, significa que amor não há, e quer saber… Mabel talvez esteja certa, pois enquanto tu estava praticando o desamor e me esquecendo em umas de tuas gavetas mofadas, Mabel me consolava e insistia em dizer: “não seja idiota de achar que esse ser infeliz possa ser sua vida inteira”, e eu chorava mais, pois Mabel estava certa, e isso é que me deixa morrer por dentro: saber que você não é a pessoa certa, e mesmo assim, insistir no seu pouco amor. Mas Mabel há de me ensinar um dia, há de fazer entrar na minha cabeça de que você é apenas mais uma página rasgada de uma história linda que terei, talvez nem isso, talvez seja apenas um detalhe quase imperceptível no capítulo em que eu encontro o meu amor verdadeiro. Mabel nunca foi de acreditar nesse amor verdadeiro, mas sempre me dizia pra ter forças, e como Mabel sempre me deu forças, talvez fosse esse amor que eu estava esperando. Mas não esse amor de casal, amor de amizade mesmo. Mabel costumava me trazer flores, e independente da cor, ela sempre me surpreendia. Pois bem, meu bem, será que tu és uma pessoa que valha isso? Quer dizer, não que eu seja superior a você, mas será que você realmente vale o esforço que faço? Segundo Mabel, não vale o chão que pisa. E isso que me irrita, a Mabel não conhece o seu lado perfeito. Ou sou eu que acho que conheço? Não sei. Mas de uma coisa eu sei: Mabel sempre esteve certa.”

Tô experimentando começar um texto sem assunto e ouvindo repetidamente a mesma música. Hoje o dia está com um sol forte, o céu está azul, o som que estou ouvindo predomina alegria. Talvez seja uma manifestação de felicidade. Ontem eu estava no meio de uma festa, um amigo meu disse que eu aparentava está bem, de fato é verdade, procurei manter a minha roupa bem alinhada, não tomei um gole de nada que continha álcool, e tive piadinha idiota para a noite toda. Creio que você prestou atenção na palavra chave, a mais importante dita até agora: Aparentava. Você bem sabe que aparências enganam. Você vem aqui, lê um, dois, três textos. E sai com o pensamento de que eu pareço mais um adolescente descobrindo coisas novas. Ou não. Tudo bem que eu estou descobrindo coisas novas, mais não quer dizer que isso mude a realidade, infelizmente. O problema, o grande problema é que eu não sou isso. Não me resumo nisso. Como você também está aprendendo. Aos poucos você está aprendendo a não ter medo, to errado? Está aprendendo que não haverá sol todos os dias. Você percebeu que a chuva precisa vir em certos momentos. Aprendeu a andar sem receio de cair. Aos poucos está enxergando além do passado, e sentindo saudade do futuro. Você sabe que é verdade. Ahh sim, voltando ao assunto da festa. Entre uma música e outra, tocou “Pode ser pior - Darvin - Que o começo é bem melhor do que o final, Que tudo muda nada continua igual, O tempo passa e os nossos planos ficam só na nossa imaginação.” E ao fim daquela música, eu desejei com toda força que o dia seis sumisse do calendário, que você sumisse de mim. Quando voltei para casa, o sol já não era tão forte, nem o céu era tão azul. Procurei um milhão de coisas para fazer, joguei vídeo game, mais me lembrava o Mario, que me lembrava você. Fui caminhar na praia, fui ouvir música, tentei dormir, tomei banho, assistir filme, pintei o quarto novamente. Mais o dia demorava de passar, o aperto continuava. Eu tentei escrever, mais eu tinha prometido que não falaria mais sobre você em meus textos. Mais fazia tempo que eu não escrevia, que eu não pensava em você. Não daquele jeito intenso, daquele jeito de amor eterno. Mais hoje me bateu uma saudade imensa de você, uma coisa tão gostosa de sentir, aquele “nós”. E notei que voltei a ficar nervoso ao pensar em você. Que droga ein? No fim eu apenas ri, mais aquele riso com um aperto na garganta. Reação normal de quando sente-se o gosto de quem se ama. E eu sinto seu gosto. Cheguei a uma conclusão. Mais um texto não faria diferença. E aqui estou, tentando te falar que foi bom te conhecer. E o que mais me atormenta agora é como eu fiquei depois disso. Agora, eu não consigo escrever para você com a mesma naturalidade que antes. Não consigo te desejar um feliz aniversário, um bom dia, uma boa noite.. Um bom futuro/atual/antigo/imaginário relacionamento. Eu estaria mentindo se desejasse isso tudo de coração aberto para você. O que me atormenta ainda mais não é ter chorado todas as minhas dores causadas por esse conturbado relacionamento. Mais que uma coisa aqui seja registrada. Eu nunca vou te esquecer. Só que agora não posso falar aos quatro cantos do mundo o quanto eu te amo, te desejo, te aspiro. Eu tenho que fingir que só foi um caso. Prefiro não citar mais seu nome. É tão chato, eu perco as palavras. E por fim torno a desejar meus braços entrelaçados ao seu corpo. Estou procurando agora um meio para terminar isso, sem dizer que te amo já que não me sinto mais nesse direito. Devo terminar somente com um ponto. Ponto.
“Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total.”
“Andei um pouco distante. De você, de mim, das coisas. Tentei me distanciar dos pensamentos, mas eles nunca se escondem. Às vezes, me sinto perseguida por eles. Me cercam, dominam, aprisionam. A cabeça da gente é um álbum de recordações: fotos de bons momentos, fotos de maus momentos, fotos que não dizem nada, fotos que tudo falam. E assim vamos indo, vendo e revendo fotos, buscando significados ocultos, palavras perdidas, versos cuspidos.”
“Hoje eu queria estar só.
Mas não sozinho.
Só contigo.”